Saúde: O futuro passa pela inteligência artificial e pelo cruzamento de dados dos cidadãos

Depois do Comércio, Imobiliário e Logística, a Saúde foi o tema escolhido para a quarta conferência “Próximo Nível”, organizada pelo Banco Popular e pelo Expresso. Em debate esteve o futuro do sector e o papel que a tecnologia terá nisso. Mas falaram-se também nas limitações que existem e que têm de ser corrigidas.

Qual é o “Próximo Nível” da Saúde em Portugal? É muito mais ambicioso do que se pensa. Na quarta conferência que o Banco Popular e o Expresso estão a organizar este ano, o debate não foi sobre como controlar as despesas ou sobre o que está mal no Serviço Nacional de Saúde. Em cima da mesa esteve o futuro do sector e temas como a inteligência artificial, a exportação de cuidados de saúde, o acesso a dados e a necessidade de cruzar a informação recolhida pelos vários sistemas de saúde para que se possa, precisamente, evitar gastos desnecessários.

Parecem metas muito distantes, mas todas elas reuniram o consenso dos oradores na conferência que decorreu esta manhã na sede do Banco Popular em Lisboa. E não estão assim tão distantes como isso. Portugal já dá cartas na investigação, na inovação e na digitalização de processos e agora é só tem é de subir mais um patamar e apostar mesmo na inteligência artificial, na teleassistência ou na telemonitorização.

“Temos de trabalhar para que as pessoas não tenham de ir tanto ao médico e que os médicos possam estar próximos dos doentes sem ter de ir de dois em dois meses ao centro de saúde”, disse o presidente do conselho de administração da SPMS, Henrique Martins. Ou como referiu a responsável pela área da saúde na IBM Portugal, Cristina Semião, “temos de começar a fazer inovação pela gestão da saúde e não da doença”. Ou seja, atuar para que as pessoas sejam mais acompanhadas e não fiquem doentes tantas vezes e com isso poupem dinheiro a elas próprias e ao Estado. Aliás, segundo o responsável de projeto e investigador principal da Patient Innovation, Pedro Oliveira, o futuro pode e deve passar por um acompanhamento dos cidadãos em casa, por exemplo, através da telemonitorização.

Este acompanhamento anterior à doença é muito importante porque, apesar de Portugal ter aumentado consideravelmente a esperança média de vida nos últimos 10 anos e estar muito próximo dos melhores países da Europa, ainda está longe desses mesmos países no que toca à qualidade de vida. De acordo com o professor e investigador da Escola de Gestão e Economia da Universidade Católica de Lisboa, Miguel Gouveia, os estudos europeus apontam que os portugueses passam mais de 12 anos da sua vida doentes. Em França são apenas seis anos.

Outro dos desafios discutido é a exportação de know how e até de cuidados de saúde de Portugal para todo o mundo. Porque se há uma certeza para todos estes oradores é de que a Saúde em Portugal está de boa saúde, principalmente no que respeita às tecnologias, digitalização de processos e investigação. O grande desafio, nota o diretor do Health Cluster Portugal, Joaquim Cunha, é “como vendemos a inovação que temos”.

Fonte: Expresso