Indústria portuguesa de aeronáutica mostrou potencialidades ao mundo

O cluster português da Aeronáutica, Espaço e Defesa (AED) marcou presença no evento 52a edição do International Paris Air Show, o principal evento mundial dedicado à indústria aeronáutica e aeroespacial, recentemente realizado no aeroporto de Le Bourget.

As principais empresas do setor aproveitaram para exibir as suas últimas aeronaves, procurando reforçar a sua notoriedade a nível internacional, também, procurando mostrar ao mundo as potencialidades da indústria portuguesa.

Paulo Chaves, presidente da AED, faz um balanço positivo do evento: "Estiveram presentes, enquanto expositores, várias empresas de origem portuguesa, ou com atividade industrial significativa em Portugal, como a OGMA, a Embraer, a Lauak, a Active Space Technologies, a Quasar, aTekever, entre outras".

"Tivemos a oportunidade de encontrar e dialogar com os nossos parceiros, fornecedores e clientes, nacionais e estrangeiros, assim como de abrir o caminho para novas oportunidades para os nossos associados".

Na opinião do mesmo responsável, "Portugal ainda não é naturalmente reconhecido pela sua indústria de aeronáutica, espaço e defesa e é fundamental aproveitar todas as oportunidades para demonstrar o que temos e o que fazemos".

"O nosso cluster é essencialmente constituído por empresas que à escala europeia são pequenas, e para as quais a participação direta, com stands dedicados, num evento deste tipo é inviável. O AED cluster pode e deve dar uma resposta a esta questão, encontrando o bom equilíbrio entre a capacidade de dar visibilidade ao nosso cluster face à sua capacidade de investimento limitada. Este ano estivemos fisicamente representados no stand de um dos nossos associados, a PME portuguesa, Active Space Technologies. Para além disso organizámos um conjunto de eventos que, para além de ilustrar o que estamos a fazer e para onde queremos ir, permitem conferir visibilidade ao setor e aos nossos associados."

"O AED cluster, procura induzir economias de escala mais adequadas e fornecer aos seus associados a informação especializada, o apoio à presença em eventos, o quadro para ligações com outros clusters, a ligação entre empresas, entidades de interface, do ensino superior e do ensino profissional. Desta forma iremos contribuir para o reforço da internacionalização e diversificação das nossas empresas, melhorando a sua resiliência e aumentando a sua importância na economia nacional", remata.

Casos de sucesso

Desafiado a citar casos concretos que demonstrem a competitividade de Portugal neste setor, Paulo Chaves concretiza: "Temos vários casos de sucesso. A Tekever, que, face aos grandes players internacionais, ganhou os concursos europeus para o patrulhamento do mar e da fronteira sul da União Europeia. O excecional crescimento sustentado das atividades de manutenção (maintenance, repair and overhauling-MRO) da OGMA. O crescimento da Active Space Technologies, que exporta mais de 90% da sua faturação. O excelente percurso de empresas como a Optimal ou a Edaetech na forma como se posicionaram na fileira industrial aeronáutica. A capacidade da Omnidea em ter desenvolvido uma serie de tecnologias e equipamentos de referência e ter adquirido uma empresa do setor Espaço na Alemanha. O pioneirismo da Lusospace no desenvolvimento de tecnologia de Realidade Aumentada. A participação da nossa indústria em projetos de referência para o desenvolvimento de tecnologia, como o demonstrador de uma asa de última geração para a Embraer, ou o de desenvolvimento de um cockpit de última geração para a Airbus, ou do desenvolvimento do avião espacial da ESA, o IXV, que já concluiu um voo suborbital com sucesso. Podia citar muitos outros casos equivalentes", finaliza.

Fonte: AICEP